A Elitização das Universidades Públicas no Brasil

A Elitização das Universidades Públicas no Brasil

 Maria Thais Pinheiro (estudante de Pedagogia – Faculdades Oswaldo Cruz)

Começo este artigo propondo um desafio: encontrar um estudante nas universidades públicas de engenharia, medicina e direito que tenham estudado a vida inteira em escolas públicas.

É de conhecimento geral que um dos sonhos de todo universitário é estudar e se formar em uma universidade pública e bem conceituada. Porém, este sonho se torna cada vez mais distante da grande maioria dos jovens brasileiros, maioria esta que não tem acesso aos melhores colégios, pois de maneira geral, as universidades com este perfil são extremamente elitistas, ou seja, entra quem teve acesso às melhores escolas da Educação Básica e quem tem poder aquisitivo para custear uma boa formação e não quem de fato precisa de gratuidade no ensino.

Para ilustrar a dificuldade que é o acesso às universidades públicas, tomo como exemplo o vestibular de transferência 2011 para a FE-USP (Curso de Pedagogia, Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo): de um total de 17 vagas e 53 inscritos, somente 2 pessoas foram aprovadas, as demais vagas ficaram desocupadas.

É inadmissível que uma faculdade que em um dos seus prédios leva o nome do grande Educador Paulo Freire, defensor dos estudantes e contra toda forma de exclusão, prefira deixar 15 vagas abertas a ocupá-las com estudantes que tem paixão e que desejam fielmente se tornar educadores. Como é possível que justamente uma faculdade de educação prefira não dar a chance ao estudante e ir contra todas as pedagogias modernas se baseando apenas em uma avaliação para medir o conhecimento conceitual prévio dos estudantes?

No início do artigo propus um desafio e não foi de maneira aleatória que escolhi aqueles cursos, pois esses ainda parecem-me ser os mais elitistas dentro de uma universidade pública. Supondo que um jovem que tenha estudado a vida inteira em escola pública e ainda assim tivesse conseguido passar no curso de medicina, como seria possível para ele ficar cerca de 8 anos estudando o dia inteiro e custeando livros caríssimos? Sem falar no fato de que muitos desses livros são escritos em outras línguas, portanto, o estudante precisa dominar outros idiomas além do seu, e isso infelizmente não é condizente com a realidade de grande parte dos jovens brasileiros. Portanto, é preciso mais do que talento e paixão para se alcançar um sonho como este e dizer que “é possível para qualquer um” é uma forma de iludir e, em seguida, frustrar.

A maioria dos estudantes brasileiros são acolhidos hoje nas universidades particulares, pois é nelas que o aluno tem encontrado mais apoio, nelas é aceito em sua diversidade social e cultural e sente-se, por tudo isto, nelas valorizado.

 

Uma resposta to “A Elitização das Universidades Públicas no Brasil”

  1. spapesky Says:

    Cara Aluna e Autora do artigo A elitização das universidades públicas, Thais

    Parabenizo-lhe pela reflexão e alerta a todos os educadores brasileiros no sentido de cuidarmos melhor da Educação que oferecemos em todos os níveis e instituições de ensino. Educar é, acima de tudo, formar Pessoas, aceitá-las em sua diversidade e adequar o ensino às necessidades e níveis de dificuldades reais, buscando na parceria entre professores e alunos os meios eficazes para superação das dificuldades de ambos, o que certamente resultará em benefícios mútuos de desenvolvimento pessoal e profissional.
    Continue manifestando suas reflexões por escrito e dispondo-se a dialogar com os leitores. Muito Sucesso e Luz! Um beijo no Coração,

    Profa. Sandra Papesky

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