Da consistência do que somos

Da consistência do que somos

Pollyana Franco

Nós, seres humanos, carregamos em nós tudo aquilo que nos constitui: os sonhos, os medos, as alegrias, as tristezas, os amigos, os amores, as músicas que ouvimos, nossa comida preferida, as coisas que vemos e vivenciamos, nossas crenças e valores. Tudo isso junto, organizado ou não, nos transforma naquilo que somos e é o que nos dá consistência, o que faz de nós, nós.  

Muitas vezes acontecem situações em que nos sentimos “quebrados”. É quando nossa consistência por algum motivo se rompe. Sentimos o coração dolorido, a alma estilhaçada, o corpo sem forças, a vida sem chão. Andamos pela rua com o olhar vazio e a sensação que temos é a de que carregamos o peso do mundo dentro do peito. Os sonhos perdem a razão de ser, os medos se tornam maiores, as alegrias distantes, as tristezas presentes, os amigos ocupados, os amores ausentes. Tudo perde a razão de ser, até nossas músicas preferidas parecem uma batucada ao fundo do que somos; nossa comida preferida perde o sabor; nos tornamos cegos e só nos lembramos daquilo que não se deve lembrar; já não acreditamos em nada e não valorizamos nada. Pensamos: é o fim. E então vamos vivendo, dia após dia, esperando que algo ou alguém mude tudo, e as coisas voltem a fazer sentido.

Existem também aqueles momentos mágicos, em que o mundo inteiro pára e tudo parece ser um sonho, uma miragem. Tudo é tão perfeito e maravilhoso que sentimos a alegria do mundo, dentro de nós. Sentimos que somos capazes de ser e fazer qualquer coisa, que nada nem ninguém pode nos impedir de realizar os nossos sonhos e sermos felizes. Nos sentimos verdadeiros guerreiros lutando pela vida que ainda existe em nós. É quando a nossa consistência atinge o seu ápice, e tudo se integra e tudo funciona. Não é preciso que algo extraordinário aconteça para que a gente se sinta assim. Às vezes um simples abraço, um sorriso, uma palavra faz nosso dia valer a pena, faz nossa existência ganhar sentido.

Muitas pessoas passam pela vida sem consistência. Se esquecem do que são, do que querem, do que vale a pena e do que não. Se esquecem de que a vida é uma sucessão de pequenas e grandes coisas que podem nos abalar, mas que não podem roubar o que somos. A consistência da alma pertence a quem tem coragem de viver e força para lutar. Ela baseia-se em ser inteiro e dar-se por inteiro, mesmo quando sentimos que já não podemos mais. É o saber alegrar-se com coisas simples como o nascer do sol e saber entender que a vida está em constante movimento, coisas e pessoas vêm e vão, mas elas estarão sempre guardadas em nosso íntimo.

Se as pessoas caminhassem juntas, se fossem capazes de ver o outro e nele enxergar uma parte de si, se fossem humildes, solidárias, humanas, não existiria uma pessoa no mundo que não fosse consistente. Todos seriam inteiros.  E todos nós juntos, seríamos a consistência universal, funcionando em um mesmo ritmo, em uma mesma sincronia, e talvez então, já não existiria sofrimento.

Ao nascermos somos seres frágeis, mas estamos todos carregados de um material muito precioso: os sonhos.  E são eles a matéria-prima da consistência.

 

2 Respostas to “Da consistência do que somos”

  1. Pollyana Says:

    Sandra, eu que agradeço pela oportunidade e por me ajudar nessa caminhada.
    Beijos

  2. spapesky Says:

    Querida Pollyana

    Parabéns pela consistência de seu texto, produto da consistência da sua identidade e do modo como relaciona-se com a Vida e a Educação. Parabéns e obrigada pela participação! Muita Luz e Sucesso!
    Um beijo no Coração,

    Profa. Sandra Papesky

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